Por Joel haas
Zapping
Beatriz Sarlo incia este capítulo do livro o Sonho Acordado, fazendo uma representação escrita de cinco minutos assistindo televisão, e zapeando; ou dez minutos, ou mesmo um minuto. Nestas breves passagens, já podemos notar a profundidade com que ela trata o assunto. Logo após ela “decreta” quatro regras básicas da “república” do zapping. Primeira Lei: produzir a maior acumulação possível de imagens de alto impacto por unidade de tempo e, paradoxalmente, baixa quantidade de informação. Este ponto-de-vista ácido, é entendido se acompanharmos o texto.
Para Sarlo, o zapping é uma construção frenética de conteúdo inútil, baseado na retroleitura e reiteração do que acontece na própia televisão. Isso cria um ambiente onde as produções – de nível nacional e/ou mundial – apresentem o menor risco possível. É “compreensível” até certo ponto esta atitude por dois motivos básicos: altíssimos custos – criando poucas oportunidades para errar – e manutenção de um certo status quo, sendo mais “seguro” para quem alcança este status.
Outro fator importantíssimo que a autora explicita com maestria é o de o meio ser mais veloz do que aquilo que ele mesmo transmite. A incoerência dentro da coerência do discurso televisivo. Porém, estando na era zapping, o switcher encontra-se na mão do telespectador, que faz sua escolha sentado no sofá de casa. Isso tira um pouco – dependendo da situação muito – do poder da mídia em “bitolar” os receptores.
Perda do Silêncio
Silêncio e planos mais longos povoam nossa lembrança, de tempos atrás, quando fala-se em televisão. O programa CQC – da TV Bandeirantes – é o exemplo mais recente disso. Jogos frenéticos de câmera, trilha sonora praticamente ininterrupta, muitos jornalistas envolvidos, intervalos aos comerciais pouco freqüentes, organização semanal de quadros são algumas das características. Fora o humor e os videografismos – desenhos que brincam com os entrevistadores e entrevistados – que deixam pouco tempo para a reflexão a este turbilhão de informações e imagens recebidas.
A caixa reprodutora de imagens é uma máquina de felicidade, onde a desordem tem um sentido de satisfação e contentamento: agora estou informado. Como no caso do futebol; dezenas de programas – diários ou semanais – discutem invariavelmente sempre o mesmo assunto: futebol! As variáveis são diversas, muitas delas somente possíves com o recurso televisivo. Caso das análise de impedimentos realizadas incansavelmente pela grande maioria.
Até a improvisação já responde a serialidade – na lógica do pouco risco. Sarlo coloca que no início, quando havia a necessidade incondicional do “ao vivo”, a improvisação era um ponto que fugia da lógica e quebrava um pouco o “encanto” midiático proporcionado pelo modo de produção televisivo. Hoje, em diversos programas humorísticos observamos a improvisação amalgamada ao roteiro, imbuída de causar um certo frisson nos telespectadores.
domingo, 30 de novembro de 2008
A Linguagem da Propaganda - Antônio josé Sandmann
A Linguagem da Propaganda
O Autor no Contexto
Antônio josé Sandmann
Natural de Três Arroios - RS, é formado em Filosofia, Direito e Letras. Atuou mais de seis anos como professor no interior do paraná. Em 1981 tornou-se mestre, pela Universidade Federal do paraná. Em 1986, Doutor pela Universidade de Colônia - Alemanha. E brinda-nos com esta magnífica obra, abaixo esmiuçada.
O termo Propaganda
Comunicação é um termo irritante. Propaganda também. Acusam os dicionários Wahrig - alemão - e Webster's - inglês - que propaganda foi extraído, em 1622, de ~congregatio de propaganda fide~ - congragação da fé que deve ser propagada - congragação esta oriunda de Roma. Nessa frase ~propaganda~(latim, feminino) exerce função de adjetivo; propagandus(latim, neutro) significa dever, necessidade; que deve ser propagado, que precisa ser propagado.
No português, o termo ~propaganda~ é abrangente o suficiente para usarmos como propagação de idéias e venda de produtos e serviços. Geralmente utiliza-se ~publicidade~ para produtos e serviços, mas propaganda pode tranqüilamente ser utilizado. No inglês, o termo ~propaganda~ é extremamente forte e agressivo, no sentido exclusivo de propagação de ideais políticos, tendo diversas vezes significação depreciativa. Utiliza-se ~advertising~ para venda de produtos e serviços. No alemão é semelhante ao inglês, apenas tendo ~reklame~ - empréstimo do francês - para referir a venda de produtos e serviços. Antigamente usava-se no brasil ~reclame~ - como na expressão famosa do animador/apresentador Faustão "os reclames do plin-plin" - porém hoje é anacrônico.
Propaganda e Retórica
Tomando retórica como a arte de persuadir, de convencer e de levar a ação por meio da palavra não fica difícil compará-la com a linguagem da propaganda. talvez a única diferença seja quanto a criatividade e recusrsos utilizados para chamar a atenção do leitor. A linguagem da propaganda, assim como a literária, destaca-se pelo rebuscamento e explosões de inventividade. Disse Bussman em Léxico da Linguística que: "O estudo da retórica, cuja tradição mais viva alcança o século XVIII, experimentou um forte revivescimento nos últimos tempos em sua ligação com a linguagem da propaganda". Se prestarmos bem atenção, notamos isso diariamente por todos os meios de comunicação. A necessidade de chamar a atenção do consumidor em segundos - e cada vez em menos segundos - está transformando o modo de fazer Publicidade e Propaganda.
Tipos de Signos
Signo é uma coisa que substitui outra; alguma coisa que representa algo para alguém, que expressa alguma ideía e faz sentido para um ou mais indivíduos. Divide-se basicamente em símbolo - relação de ponte arbitrária ou convencional; índice - relação com base empírica, histórica, coocorrotiva ou contigüidativa; e símile ou ícone - se a relação se dá com fundamento na semelhança.
Propaganda e ideologia
Primeiro, vale ressaltar o conceito de ideologia, para Fiorin, "uma visáo de mundo". Fiorin diz ainda que "há tantas visões de mundo numa dada formação social quantas forem as classes siciais" e completa de forma astuta "Embora haja, numa formação social, tantas visões de mundo quantas forem as classes sociais, a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante". Para Marx "ideologia é uma justificativa histórica", justamente para dominar uma outra classe social a qual esteja em conflito. Uma forma de tornar mais plasível atrocidades históricas acometidas a quaisquer outros seres.
E qual é a ideologia dominante atualmente? A ideologia do consumo desvairado, sem preocupar-se com malefícios ao Planeta e aos semelhantes, porém, o "motor que move a história" - a dialética do conflito - parece "estar reagindo" e talvez haja uma luz no fim do túnel.
Características da linguagem da Propaganda
- Variação Lingüística
Verificamos que a Língua Portuguesa não é algo uniforme, homogêneo, e sim. como diz Sandamann, "um feixe de variedades". A variação lingüística divide-se em: diacrônica - longos períodos de tempo; diatópica - no espaço geográfico, e é aqui que encaixam-se os dialetos; diastrática - classes (camadas, esferas) sociais; diafásica - gerações diferentes; e de registro - adaptação da linguagem conforme a situação.
- Empréstimos lingüísticos
Basicamente apropriar-se de termos/ regras de outras línguas para acrescentar um grau de criatividade a propaganda em português. Se analisarmos pela norma culta da língua, é visto como desnecessário, pois substitui palavras pelos ~estrangeirismos~, porém, como na propaganda não é a linguagem formal e sim a eficiência da mensagem transmitida o que mais importa, é largamente utilizado. Sapattu's, Dullius, Vitrolão Rock Bar, Monn Chérry - que faz alusão ao francês, mas não apresenta coerência com o mesmo, pois ou deveria ser "mon chér" ou "ma chérrie"; da forma como está, a tradução dá-se como "meu querida".
- Aspectos (Orto)Gráficos
Visam efeitos expressionais.
Veja o exemplo ~Concerto de Sapatos~ - propaganda de uma curtidora de calçados. O contexto leva a entender que o uso - a primeira visão incorreto - de ~concerto~, com "c" é algo vulgar, mas muito pelo contrário, pois carrega a intenção de persduadir o consumidor a acreditar que aquele indivíduo o qual ~conserta~ - agora sim com "s" - seus calçados neste estabelecimento, terá uma harmonia entre roupas e acessórias de couro no seu vestuário.
- Aspectos Fonológicos
Compreendem-se na função poética da linguagem - realçar o significado da mensagem para tornar mais fácil o entendimento da mensagem. Intenção final? Persuasão do consumidor. Divide-se em rima, ritmo, aliteração, paromomásia e prosódia.
- Rima
Repetição de sílaba ou sílabas no início, meio ou fim das frases. Para exemplificar; propaganda que a Prefeitura Municiapal de Guaratuba colocou em terrenos baldios: "Lixo em terreno baldio, rato forte e sadio", onde chama-se atenção para "o rato sadio" em função do lixo despejado nos terrenos abandonados. Chama atenção também a união de ~rato~ e ~sadio~ para a construção da idéia final.
- Ritmo
Sucessão regular de tempos fortes e fracos ou de sílabas fortes e fracas no início, meio ou fim das frases. Clássico: "Tomou Doril, a dor sumiu".
- Aliteração
Repetição de fonemas no início, meio ou fim das palavras. Exemplo bastante interessante: "Vá e venha pela Penha", onde repete-se os fonemas do "v" no início das palavras, "nha" e "pe".
- Paranomásia
Confrontação semântica de palavras similares do ponto de vista fônico, independentemente de toda conexão etimológica, como em "Força ou farsa multilateral?", visto num artigo de jornal.
- Prosódico
Uso "marginal" da língua; são apenas para serem lidos, mas não pronunciados. "Não mude do Brasil. Ajude a mdar o Brasil. Mário Covas Presidente"; ênfase ao ~do~ e ao ~o~ para expressar a idéia de mudar o país, e não sair dele, e para isso votar em Mário Covas.
- Aspectos Morfológicos
Sandmann procura não abordar o assunto em sua totalidade, e sim nos aspectos estilísticos mais criativos preponderantes na propaganda.
- Palavra Complexa
Palavra formada por mais de um morfema lexical, composta ou derivada. Exemplo: "No mundo pós-moderno vence quem tem pós-graduação" - propaganda de um centro que oferece pós-graduações. Vale ressaltar também a característica da sociedade atual onde um curso universitário já não garante mais sucesso profissional.
- Prefixação
Para dar ênfase a qualidade de um determinado produto, como em "Super na performance, mini no preço" (propaganda da HP e Edisa Informática, onde os prefixos são usados livremente, o que jamais encontramos na norma culta).
- Sufixação
Para dar ênfase e excelência do produto, porém utilizando sufixos. "Conheça o novíssimo Honda Fit" - encontrado no site da Honda. Novo já explicaria, mas novíssimo chama deveras a atenção do consumidor.
- Cruzamento Vocabular
Composição de duas ou mais palavras para formar uma nova, porém, quase sempre, com uma delas reduzindo-se no seu corpo fônico. "Luminarte. Tudo em luminárias" (loja de Santa Cruz do Sul). Aglutina "luminárias" e "arte", dando a idéia de que as mais belas luminárias você encontra ali.
- Ressegmentação
Uma segementação diferente de uma palavra, sem substituição ou acréscimo. Como nesta propagação de uma ideal político de alguém que o pichou num muro de Curitiba: "Amar é ter na mente. éter na mente. eternamente"
- Desopacifisação
Como a própria palavra já sugere, trabalha na função de (re)clarear, dar nova tranparência a determinada palavra. "X FeiCon. Feira de Materiais de Construção" propaganda da mais famosa feira do gênero no Brasil.
- Aspectos Sintáticos
Aspectos estilísticos ligados a linguagem da propaganda.
- Simplicidade Estrutural
Elementos subentendidos ou clareados apenas pelo contexto. "Pequenas Emnpresas & Grandes Negócios" - revista e programa de TV famossíssimos. Pela lógica, espera-se que pequenas empresas apresentem pequenos negócios, quem lê e assiste ao programa observa que não é bem assim.
- Topicalização
O lugar normal do objeto direto dentro de um texto é depois do verbo. Quando ele aparece antes é chamado de topicalização. Na linguagem da propaganda também, como em "Moda inverno a gente encontra no Mueller".
- Coordenação
Repetição mais longa de atributos do produto propagandeado, como no assíndeto "Raspou, combinou, ganhou" - famosa propaganda de raspadinhas. Há uma coordenação das qualidades e não há conjunção - por isso assíndeto.
- Paralelismo
Esquema formal onde temos a repetição próxima da mesma estrutura sintática ou de seqüência de unidades sintáticas. Como em "DN Turismo. Você leva a Vida. A gente leva você". Há um paralelismo fácil de ser observado na seqüência proposta.
- Simetria
É a função na qual os elementos posicionam-se tais quais espelhos, são rpetidos na ordem inversa. Como em "Classifolha. O jornal que mais vende, tem os classificados que vendem mais".
- Aspectos Semânticos
Na linguagem da propaganda criativa, estilística, é difícil encontrar monossemias. A arte de desafiar o consumidor a entender as diversas significações as quais o publicitário elenca aos signos é uma das magias dessa profissão.
- Polissemia
Polissemia é quando a um termo apresentam várias significações aparentadas. Exemplo: "Isso é da sua conta. Tudo o que você precisa saber sobre o seu banco [Bamerindus]", onde "isso é da sua conta" é ambíguo; isso interessa a você.
- Homonímia
Homonímia é quando a um termo apresentam várias significações não-aparentadas. Exemplo: "Dedetizadora Veneza. E você não encontra mais barata", barata no sentido de não-cara e do inseto.
- Denotação e Conotação
Denotação: quando refere-se de forma objetiva a algo. Conotativa: quando demonstra emoção e subjetividade. Exemplo: "Caminhões Volkswagen: a beleza da força; a força da beleza", onde encontramos as dua concepções bem definidas.
- Antonímia
Palavras que representam no todo idéias opostas. Como no chavão: "Materiais Hidráulicos: as melhores marcas pelos menores preços".
- Linguagem Figurada
Na publicidade chamam a atenção nesta análise metáfora, metonímia e a retórica da personificação.
- Metáfora
Transforma o significante de um signo em outra coisa. Exemplo: "Cigarro. Apague esta idéia" - campanha da Folha contra o tabagismo. Apagar o cigarro e a ideía, intenção de fumar.
- Metonímia
Transforma o significante de um signo em outra coisa, porém no sentido de contigüidade'associação espacial, histórica. "Aperte que o sabor aparece. Hellmanns, a verdadeira mayonnaise" - fazendo clara associação entre o molho e o seu sabor, ~sabor~ substituído por ~molho~.
- Personificação
Quando personificamos algo, atribuímos-lhe propriedades de entidade huimana, propriedades que por natureza ela não tem. Basuicamente ajuda na exaltação das qualidades do produto, como pode-se observar em "Chevrolet: conte comigo". Personifica a marca, dá formas humanas a ela e apela também para o fato de geralmente você ~contar~ com o melhor amigo nas horas difíceis.
Sem sombra de dúvida, a obra acima brevemente resumida de Sandmann apresenta diversos outros aspectos - como a numerosa variedade de exemplificações para cada item e subitem descrito na sua obra. É de preciosidade irrefutável para todo aspirante a bom profissional propagandista o entendimento do que Sandmann chama de A Linguagem da Propaganda. Livro atualíssimo que dá uma visão geral sobre a principal ferramenta de trabalho do publicitário: a língua, e suas estratégicas fugas estilísticas.
O Autor no Contexto
Antônio josé Sandmann
Natural de Três Arroios - RS, é formado em Filosofia, Direito e Letras. Atuou mais de seis anos como professor no interior do paraná. Em 1981 tornou-se mestre, pela Universidade Federal do paraná. Em 1986, Doutor pela Universidade de Colônia - Alemanha. E brinda-nos com esta magnífica obra, abaixo esmiuçada.
O termo Propaganda
Comunicação é um termo irritante. Propaganda também. Acusam os dicionários Wahrig - alemão - e Webster's - inglês - que propaganda foi extraído, em 1622, de ~congregatio de propaganda fide~ - congragação da fé que deve ser propagada - congragação esta oriunda de Roma. Nessa frase ~propaganda~(latim, feminino) exerce função de adjetivo; propagandus(latim, neutro) significa dever, necessidade; que deve ser propagado, que precisa ser propagado.
No português, o termo ~propaganda~ é abrangente o suficiente para usarmos como propagação de idéias e venda de produtos e serviços. Geralmente utiliza-se ~publicidade~ para produtos e serviços, mas propaganda pode tranqüilamente ser utilizado. No inglês, o termo ~propaganda~ é extremamente forte e agressivo, no sentido exclusivo de propagação de ideais políticos, tendo diversas vezes significação depreciativa. Utiliza-se ~advertising~ para venda de produtos e serviços. No alemão é semelhante ao inglês, apenas tendo ~reklame~ - empréstimo do francês - para referir a venda de produtos e serviços. Antigamente usava-se no brasil ~reclame~ - como na expressão famosa do animador/apresentador Faustão "os reclames do plin-plin" - porém hoje é anacrônico.
Propaganda e Retórica
Tomando retórica como a arte de persuadir, de convencer e de levar a ação por meio da palavra não fica difícil compará-la com a linguagem da propaganda. talvez a única diferença seja quanto a criatividade e recusrsos utilizados para chamar a atenção do leitor. A linguagem da propaganda, assim como a literária, destaca-se pelo rebuscamento e explosões de inventividade. Disse Bussman em Léxico da Linguística que: "O estudo da retórica, cuja tradição mais viva alcança o século XVIII, experimentou um forte revivescimento nos últimos tempos em sua ligação com a linguagem da propaganda". Se prestarmos bem atenção, notamos isso diariamente por todos os meios de comunicação. A necessidade de chamar a atenção do consumidor em segundos - e cada vez em menos segundos - está transformando o modo de fazer Publicidade e Propaganda.
Tipos de Signos
Signo é uma coisa que substitui outra; alguma coisa que representa algo para alguém, que expressa alguma ideía e faz sentido para um ou mais indivíduos. Divide-se basicamente em símbolo - relação de ponte arbitrária ou convencional; índice - relação com base empírica, histórica, coocorrotiva ou contigüidativa; e símile ou ícone - se a relação se dá com fundamento na semelhança.
Propaganda e ideologia
Primeiro, vale ressaltar o conceito de ideologia, para Fiorin, "uma visáo de mundo". Fiorin diz ainda que "há tantas visões de mundo numa dada formação social quantas forem as classes siciais" e completa de forma astuta "Embora haja, numa formação social, tantas visões de mundo quantas forem as classes sociais, a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante". Para Marx "ideologia é uma justificativa histórica", justamente para dominar uma outra classe social a qual esteja em conflito. Uma forma de tornar mais plasível atrocidades históricas acometidas a quaisquer outros seres.
E qual é a ideologia dominante atualmente? A ideologia do consumo desvairado, sem preocupar-se com malefícios ao Planeta e aos semelhantes, porém, o "motor que move a história" - a dialética do conflito - parece "estar reagindo" e talvez haja uma luz no fim do túnel.
Características da linguagem da Propaganda
- Variação Lingüística
Verificamos que a Língua Portuguesa não é algo uniforme, homogêneo, e sim. como diz Sandamann, "um feixe de variedades". A variação lingüística divide-se em: diacrônica - longos períodos de tempo; diatópica - no espaço geográfico, e é aqui que encaixam-se os dialetos; diastrática - classes (camadas, esferas) sociais; diafásica - gerações diferentes; e de registro - adaptação da linguagem conforme a situação.
- Empréstimos lingüísticos
Basicamente apropriar-se de termos/ regras de outras línguas para acrescentar um grau de criatividade a propaganda em português. Se analisarmos pela norma culta da língua, é visto como desnecessário, pois substitui palavras pelos ~estrangeirismos~, porém, como na propaganda não é a linguagem formal e sim a eficiência da mensagem transmitida o que mais importa, é largamente utilizado. Sapattu's, Dullius, Vitrolão Rock Bar, Monn Chérry - que faz alusão ao francês, mas não apresenta coerência com o mesmo, pois ou deveria ser "mon chér" ou "ma chérrie"; da forma como está, a tradução dá-se como "meu querida".
- Aspectos (Orto)Gráficos
Visam efeitos expressionais.
Veja o exemplo ~Concerto de Sapatos~ - propaganda de uma curtidora de calçados. O contexto leva a entender que o uso - a primeira visão incorreto - de ~concerto~, com "c" é algo vulgar, mas muito pelo contrário, pois carrega a intenção de persduadir o consumidor a acreditar que aquele indivíduo o qual ~conserta~ - agora sim com "s" - seus calçados neste estabelecimento, terá uma harmonia entre roupas e acessórias de couro no seu vestuário.
- Aspectos Fonológicos
Compreendem-se na função poética da linguagem - realçar o significado da mensagem para tornar mais fácil o entendimento da mensagem. Intenção final? Persuasão do consumidor. Divide-se em rima, ritmo, aliteração, paromomásia e prosódia.
- Rima
Repetição de sílaba ou sílabas no início, meio ou fim das frases. Para exemplificar; propaganda que a Prefeitura Municiapal de Guaratuba colocou em terrenos baldios: "Lixo em terreno baldio, rato forte e sadio", onde chama-se atenção para "o rato sadio" em função do lixo despejado nos terrenos abandonados. Chama atenção também a união de ~rato~ e ~sadio~ para a construção da idéia final.
- Ritmo
Sucessão regular de tempos fortes e fracos ou de sílabas fortes e fracas no início, meio ou fim das frases. Clássico: "Tomou Doril, a dor sumiu".
- Aliteração
Repetição de fonemas no início, meio ou fim das palavras. Exemplo bastante interessante: "Vá e venha pela Penha", onde repete-se os fonemas do "v" no início das palavras, "nha" e "pe".
- Paranomásia
Confrontação semântica de palavras similares do ponto de vista fônico, independentemente de toda conexão etimológica, como em "Força ou farsa multilateral?", visto num artigo de jornal.
- Prosódico
Uso "marginal" da língua; são apenas para serem lidos, mas não pronunciados. "Não mude do Brasil. Ajude a mdar o Brasil. Mário Covas Presidente"; ênfase ao ~do~ e ao ~o~ para expressar a idéia de mudar o país, e não sair dele, e para isso votar em Mário Covas.
- Aspectos Morfológicos
Sandmann procura não abordar o assunto em sua totalidade, e sim nos aspectos estilísticos mais criativos preponderantes na propaganda.
- Palavra Complexa
Palavra formada por mais de um morfema lexical, composta ou derivada. Exemplo: "No mundo pós-moderno vence quem tem pós-graduação" - propaganda de um centro que oferece pós-graduações. Vale ressaltar também a característica da sociedade atual onde um curso universitário já não garante mais sucesso profissional.
- Prefixação
Para dar ênfase a qualidade de um determinado produto, como em "Super na performance, mini no preço" (propaganda da HP e Edisa Informática, onde os prefixos são usados livremente, o que jamais encontramos na norma culta).
- Sufixação
Para dar ênfase e excelência do produto, porém utilizando sufixos. "Conheça o novíssimo Honda Fit" - encontrado no site da Honda. Novo já explicaria, mas novíssimo chama deveras a atenção do consumidor.
- Cruzamento Vocabular
Composição de duas ou mais palavras para formar uma nova, porém, quase sempre, com uma delas reduzindo-se no seu corpo fônico. "Luminarte. Tudo em luminárias" (loja de Santa Cruz do Sul). Aglutina "luminárias" e "arte", dando a idéia de que as mais belas luminárias você encontra ali.
- Ressegmentação
Uma segementação diferente de uma palavra, sem substituição ou acréscimo. Como nesta propagação de uma ideal político de alguém que o pichou num muro de Curitiba: "Amar é ter na mente. éter na mente. eternamente"
- Desopacifisação
Como a própria palavra já sugere, trabalha na função de (re)clarear, dar nova tranparência a determinada palavra. "X FeiCon. Feira de Materiais de Construção" propaganda da mais famosa feira do gênero no Brasil.
- Aspectos Sintáticos
Aspectos estilísticos ligados a linguagem da propaganda.
- Simplicidade Estrutural
Elementos subentendidos ou clareados apenas pelo contexto. "Pequenas Emnpresas & Grandes Negócios" - revista e programa de TV famossíssimos. Pela lógica, espera-se que pequenas empresas apresentem pequenos negócios, quem lê e assiste ao programa observa que não é bem assim.
- Topicalização
O lugar normal do objeto direto dentro de um texto é depois do verbo. Quando ele aparece antes é chamado de topicalização. Na linguagem da propaganda também, como em "Moda inverno a gente encontra no Mueller".
- Coordenação
Repetição mais longa de atributos do produto propagandeado, como no assíndeto "Raspou, combinou, ganhou" - famosa propaganda de raspadinhas. Há uma coordenação das qualidades e não há conjunção - por isso assíndeto.
- Paralelismo
Esquema formal onde temos a repetição próxima da mesma estrutura sintática ou de seqüência de unidades sintáticas. Como em "DN Turismo. Você leva a Vida. A gente leva você". Há um paralelismo fácil de ser observado na seqüência proposta.
- Simetria
É a função na qual os elementos posicionam-se tais quais espelhos, são rpetidos na ordem inversa. Como em "Classifolha. O jornal que mais vende, tem os classificados que vendem mais".
- Aspectos Semânticos
Na linguagem da propaganda criativa, estilística, é difícil encontrar monossemias. A arte de desafiar o consumidor a entender as diversas significações as quais o publicitário elenca aos signos é uma das magias dessa profissão.
- Polissemia
Polissemia é quando a um termo apresentam várias significações aparentadas. Exemplo: "Isso é da sua conta. Tudo o que você precisa saber sobre o seu banco [Bamerindus]", onde "isso é da sua conta" é ambíguo; isso interessa a você.
- Homonímia
Homonímia é quando a um termo apresentam várias significações não-aparentadas. Exemplo: "Dedetizadora Veneza. E você não encontra mais barata", barata no sentido de não-cara e do inseto.
- Denotação e Conotação
Denotação: quando refere-se de forma objetiva a algo. Conotativa: quando demonstra emoção e subjetividade. Exemplo: "Caminhões Volkswagen: a beleza da força; a força da beleza", onde encontramos as dua concepções bem definidas.
- Antonímia
Palavras que representam no todo idéias opostas. Como no chavão: "Materiais Hidráulicos: as melhores marcas pelos menores preços".
- Linguagem Figurada
Na publicidade chamam a atenção nesta análise metáfora, metonímia e a retórica da personificação.
- Metáfora
Transforma o significante de um signo em outra coisa. Exemplo: "Cigarro. Apague esta idéia" - campanha da Folha contra o tabagismo. Apagar o cigarro e a ideía, intenção de fumar.
- Metonímia
Transforma o significante de um signo em outra coisa, porém no sentido de contigüidade'associação espacial, histórica. "Aperte que o sabor aparece. Hellmanns, a verdadeira mayonnaise" - fazendo clara associação entre o molho e o seu sabor, ~sabor~ substituído por ~molho~.
- Personificação
Quando personificamos algo, atribuímos-lhe propriedades de entidade huimana, propriedades que por natureza ela não tem. Basuicamente ajuda na exaltação das qualidades do produto, como pode-se observar em "Chevrolet: conte comigo". Personifica a marca, dá formas humanas a ela e apela também para o fato de geralmente você ~contar~ com o melhor amigo nas horas difíceis.
Sem sombra de dúvida, a obra acima brevemente resumida de Sandmann apresenta diversos outros aspectos - como a numerosa variedade de exemplificações para cada item e subitem descrito na sua obra. É de preciosidade irrefutável para todo aspirante a bom profissional propagandista o entendimento do que Sandmann chama de A Linguagem da Propaganda. Livro atualíssimo que dá uma visão geral sobre a principal ferramenta de trabalho do publicitário: a língua, e suas estratégicas fugas estilísticas.
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Ensaio Sobre Sociedade e Cultura Contemporânea
Por Joel Haas
A verdade é litorânea
Na sociedade contemporânea
E não é minha conterrânea
Essa verdade litorânea
E essa verdade unilateral
Essa linguagem unilateral
A cópia da mesmice, o mais do mesmo
A informação que eu não vejo!
O espetáculo do efêmero
Esse mundinho tão pequeno
De fragmento em fragmento
Vou me entupindo de nada
Só importa minha vidinha privada
Não me envolvo com essa naba
De fragmento em fragmento
Essa é a minha vida na privada
Privada da vida
Lixo ideológico
Desencanto e desencontro
É a minha na TV
Mas não é esse o meu desejo
Quero astros e estrelas
Desperdiçando o meu tempo
O meu desejo é induzido
Consumo o que não preciso
O meu desejo é criado
Consumismo desvairado
Dans le jornalism fin-de-siècle
Manque seulement l`Internet
Qui aujord`hui c`est une facette
D`une important revolution
Qui, pour leurs revolucionaires, c`est une conspiration
Qui peut-être changerai le monde...
Mais Ciro est pessimist
Pour lui, tout c`est fini
(No Jornalism fin-de-siècle
Falta somente a Internet
Que hoje é uma face
De uma importante Revolução
Que, pelos seus revolucionários, é uma conspiração
Que talvez mudará o mundo...)
Também, é muito pessimista
Parece que tudo acabou
E a sociedade contemporânea?
Não há luz no fim do túnel?
E a conspiração que se levanta?
Será esse meu futuro?
Criatividade e reivenção
A solução na transformação
A volta à realidade
À verdadeira liberdade de expressão
Por que não usar de linguagem simples,
se a maioria não entende quase nada?
A verdade é litorânea
Na sociedade contemporânea
E não é minha conterrânea
Essa verdade litorânea
E essa verdade unilateral
Essa linguagem unilateral
A cópia da mesmice, o mais do mesmo
A informação que eu não vejo!
O espetáculo do efêmero
Esse mundinho tão pequeno
De fragmento em fragmento
Vou me entupindo de nada
Só importa minha vidinha privada
Não me envolvo com essa naba
De fragmento em fragmento
Essa é a minha vida na privada
Privada da vida
Lixo ideológico
Desencanto e desencontro
É a minha na TV
Mas não é esse o meu desejo
Quero astros e estrelas
Desperdiçando o meu tempo
O meu desejo é induzido
Consumo o que não preciso
O meu desejo é criado
Consumismo desvairado
Dans le jornalism fin-de-siècle
Manque seulement l`Internet
Qui aujord`hui c`est une facette
D`une important revolution
Qui, pour leurs revolucionaires, c`est une conspiration
Qui peut-être changerai le monde...
Mais Ciro est pessimist
Pour lui, tout c`est fini
(No Jornalism fin-de-siècle
Falta somente a Internet
Que hoje é uma face
De uma importante Revolução
Que, pelos seus revolucionários, é uma conspiração
Que talvez mudará o mundo...)
Também, é muito pessimista
Parece que tudo acabou
E a sociedade contemporânea?
Não há luz no fim do túnel?
E a conspiração que se levanta?
Será esse meu futuro?
Criatividade e reivenção
A solução na transformação
A volta à realidade
À verdadeira liberdade de expressão
Por que não usar de linguagem simples,
se a maioria não entende quase nada?
A rede e o Ser - Manuel Castells
Por Joel haas
Em seu livro A Rede e o Ser, Manuel Castells trata basicamente das "estruturas e os processos que caracterizam a sociedade em rede", como ele mesmo coloca. Pelo que pude observar em leituras ao Prólogo, I Capítulo - A Revolução da Tecnologia da Informação e a Conclusão, e como o prórpio autor coloca em citação logo acima do Prólogo, Castells conseguiu achar o "fio da meada" da sociedade que nos permeia. A sociedade em rede. A sociedade informacional, e não sociedade da informação. Informacional pois é a informação como transmissão de conhecimentos. Informação como matéria-prima a ser trabalhada, e não apenas como sociedade da informação, termo que enfatiza apenas o papel da informação na sociedade.
Vivemos na sociedade onde a individualização é deveras exacerbada, e o acesso a tecnologia é crucial para que possamos estar "conectados" a este admirável novo mundo. Porém, não há uma paridade no desenvolvimento das nações e muito menos no acesso a essas tecnologias. A forma que as pessoas excluídas encontraram para lutar contra esta realidade é a de reagrupamentos em torno de identidades primárias: religiosas, étnicas, territoriais, nacionais. O fundamentalismo religioso é um dos maiores agentes deste movimento. As pessoas procuram segurança, proteção com este comportamento. Duas das idéias centrais da tese de Castells são a de levar a tecnologia a sério, como ponto de partida deste estudo e que a busca pela identidade é tão poderosa quanto a transformação econômica e tecnológica que está acontecendo.
Devido a grande penetrabilidade que a evolução da tecnologia da informação exerce sobre todas as esferas da atividade humana é que devemos dá-la tanta atenção. Também a forma como este desenvolvimento é encarado pelos Estados políticos é essencial. Dois exemplos clareiam muito bem isto. O da invenção da Internet na década de 70 e o do desenvolvimento tecnológico chinês.
O advento da Internet houve quando o departamento de defesa dos EUA teve a idéia inicial de criar um sistema no qual não houvesse apenas uma célula principal; um sistema onde possa ter acesso ou até mesmo controle das informações de qualquer lugar de onde acessemos esses dados. Nascia a Internet. O que os jovens cabeludos e sonhadores estudantes fizeram com esta ivenção já é assunto para outro debate, pois através do acesso pels linhas telefônicas, eles revolucionaram o processo de transmissão de informções para nós, cidadãos comuns e para todo o mundo.
Quanto ao desenvolvimento tecnológico chinês, estima-se que pelo final do século XIV a China estava a ponto de se industrializar, fato que só ocorreu no final do século XVIII na Europa Ocidental. E porque assim não o fez? Como ainda acontece hoje, a cultura chinesa tende para uma relação harmoniosa entre homem e natureza, como pregam seus custumes. Uma rápida evolução tecnológica poderia ameaçar esta consonância. Ou seja, os chineses sempre se deram conta que a preservação da vida no planeta depende dessa relação, fato que muitos líderes ocidentais têm dificuldades para entender hoje. Além disso, as dinastias chinesas mantiveram-se fechadas - até quando suportaram - das influências externas do Ocidente. Neste período houve uma parada no desenvolvimento tecnológico chinês.
"O que deve ser guardado para entendimento desta relação é que o papel do Estado, seja interrompendeo, seja promovendo, seja liderando a inovação tecnológica, é um fator decisivo no processo geral, a medida que expressa e organiza as forças sociais dominantes em um espaço e tempo deteminados. A tecnologia espressa a habilidade de uma sociedade para impulsionar seu domínio tecnológico por intermédio de instituições sociai, inclusive o Estado. "Nesta passagem Castells resume esta relação. No final das contas o Estado será o responsável pelas políticas de incentivo ou barramemto a introdução das novas tecnologias de desenvolvimento numa determinada sociedade.
Modos de Produção e Desenvolvimento
Quanto aos modos de produção, podemos dizer que o Capitalista renasceu nos anos 80 pela absorção do conceito de sociedade em redes e aceitação dos novos paradigmas impostos pela tecnologia da Informção. E eis o porquê da ruína do estatismo: a incapacidade de assimliar estes novos conceitos. Muito também pelo constante espírito de reestrutuação - perestroyka - que não deixava romper com os que estava sendo feito. Podemos também resumir da seguinte forma: o capitalismo visa o aumento do excedente apropriado pelo capital com base no controle privado sobre os meios de produção. O estatismo "visava" o aumento da capacidade militiar e ideológica do aparato político para impôr seus objetivos a um número maior de sujeitos nos níveis mais profundos de seu consciente. O Capitalismo: maximização dos lucros. O Estatismo: maximização do poder. A relação de apropriação e uso do excedente é que também definira os modos de desenvolvimento de uma sociedade. No modo industrial a principal fonte de de produtividade reside na introdução de novas formas de energia e na capaciadade de descentralização do uso da energia ao longo dos processos produtivo e de circulação. Já no novo modelo informacional, o desenvolvimento se dá através da maipulação da informação e da capacidade de criação de conhecimento científico e o conseqüente uso deste para a evolução da sociedade. Também é destacável a capacidade de uso dos processops de comunicação e de comunicação de símbolos. Contudo, o especial do modelo informacional é a maneira como o desenvolvimento é a ação de conhecimentos sobre os próprios conhecimentos como principal fonte de produtividade, pensamento complexo puro diga-se de passagem.
Informacionalismo e reestruturação capitalista no final dos anos 80, ao som de Madonna.
O informacionalismo está diretamente ligado ao rejuvenescimento do capitalismo nos anos 80. Vendo-se estreito em seus velhos paradigmas nesta época - muito pressionados pela ameaça da inflação desenfreada após as crises do petróleo - os grandes empresários e governos impuseram, através da metodologia da tentativa e erro, uma reestruturação - perestroyka capitalista, astutamente colocado por Castells - do modelo capitalista, alicerçados em quatro grandes objetivos: aprofundar a lógica capitalista de busca de lucro nas relações capital/trabalho; aumentar a produtividade do trabalho e do capital; globalizar a produção, circulação e mercados - provocando uam verdadeira guerra pelo mais barato em todos os lugares possíveis - e estimular o protecionismo. E foi reforçado bastante nesta época a idolatria a Ídolos Pop e a globalização do sucesso dos mesmos. A cultura norte-americana violentou-nos simbolicamente de modo a firmar sua supremacia de poder pelo mundo. Dress for sucess.
Porém sempre ao analisarmos o momento atual devemos levar em consideração que o capitalismo e o informacionalismo já atingiram toas as sociedades importantes e que situemos essa atuação dentro de um contexto histórico/cultural.
Identidade
A grande questão da sociedade informacional parece caminhar neste sentido: como integrar a rede e o ser?
Estamos bastante perdidos em meio a tantas mudanças e nos agarramos a identidades culturais, pequenas coisas as quais nos identificamos como forma de fuga de tudo que parece nos tirar o chão, nos deixar inseguros. Como é tudo tão recente, sabemos apenas o que já vimos: o crescente apelo ao fundamentlismo religioso, o apego e identiicação dentro de um grupo pelo que consumimos, pequenas ou grandes bengalas, cães-guia - pontos de apoio.
Revoluções
A Revolução na qual estamos inseridos - e aí está uma oportunidade de melhorarmos muita coisa - é no mínimo tão importante quanto a Revolução Industrial. Castells diz mais ainda, fala que esta ocorrida na década de 70 é a primeira de muitas Revoluções Informacionais qua ainda virão. Interessantíssimo também observar que com a Revolução Industrial - objetivamente - visava-se diminuir os esforços físicos do homem facilitando a sua vida. Parece que isto abriu portas para que a Revolução Informacional chegue e transcenda as barreiras mais obscuras de nossas mentes, e por isso tão valorosos são os esforços da microbiologia, estudos da genética, microgenética em aumentar nossas capacidades e tornar-nos cada vez mais livres de nosso corpo.
Podemos falar também em revolução nos eltrônicos - como no caso da evolução espantosa dos computadores - mocroeletônicos, nanoeltrônicos: cada vez menores e com mais capacidade, porém este processo ainda está em franco crescimento, também não sendo absloutamente possível precisar o que ele poderá alcançar.
Novo Paradigma da tecnologia da Informação
Com base no exitoso processo do Vale do Silício - Califórnia - EUA, podemos falar em redes de contatos. Mesmo sendo o grande polo de desenvolvimento tecnológico da década de 70, os empreendedores do local não deixaram a arrogância da tentativa de dominação total de todos os mercados tomar conta e íam reciclando-se permanentemente através de estudos feitos nas universidades ou nos bares, boates, locais de encontro: redes sociais de trocas informais de informações. Através também de, nas décadas subseguintes, pequenos sucessos pessoais de ambiciosos e talentosos empreendedores que investiram tempo em pesquisa podemos falar que a grande matéria-prima desta sociedade é a informação, e crucial fator quem detém o poder de utilizar a mesma. A flexibilidade do constante processo renovação e a convergência - talvez não de todo imediata - das tecnologias provocando uam interdepndência entre elas, pois a evolução de uma está intimamente ligada aos sucessos da outra. De forma resumida, a caracterização do novo paradigma da TI: tecnologias para ação sobre a informação, penetrabilidade em todas as esferas das camadas sociais (pois a informação tende a atingir a todos), a lógica das redes (estruturação do não-estruturado, preservando a flexibilidade, sendo o não-estruturado a força motriz da inovação na atividade humana, e não mais a luta de classes), a flexibilidade (reestruturação constante) e a convergência tecnológica (provoando a interação e interdependência das tecnologias).
Sociedade Em Rede
Rede, para Castells, nada mais é que "um conjunto de nós interconectados". E como ele maravilhosamente exemplifica
A topologia definida por redes determina que a distância (ou intensidade e freqüência da interação) entre dois pontos (ou posições sociais) é menor (ou mais freqüente, ou mais intensa), se ambos os pontos forem nós de uma rede do que se não pertencerem a mesma rede. Por sua vez, dentro de determinada rede os fluxos não tem nenhuma distância, ou a mesma distância, entre os nós. Portanto a distância (física, social, econômica, política, cultural) para um determinadoponto ou posição varia entre zero (para qualquer nó da rede) e infinito(para qualquer ponto externo à rede). A inclusão/exclusção em redes e a arquitetura das relações entre redes possibilitadas por tecnologias da informação que operam a velocidade da luz, configuram os processos e funções predominates em nossas sociedades.
Na sociedade em rede o capital é eletrônico; e o que mais gera capital é o desenvolvimento dessas indústrias, uma complexidade geral. Há uma rede integrad de capital global cujos movimentos e lógica variável determinam as economias e influenciam as sociedades.
A sociedade em rede uma espécie de colapso total; a preservação da natureza é feita muito mais por marketing pessoal que por verdadeira preocupação; porém o aprofundamento no estudo das relações com a natureza nos faz entender sua tão inestimável importâmcia. A prática da política é amplamente difundida na mídia e a formação da imagem é a formação do poder. Agrada o mais "bonitinho". Cada detalhe da vida pessoal é mais importante que um debate sobre as idéias e prpostas. É a lógica da mídia eletrônica - a linguagem da propaganda, fragmentada, rápida, "indolor" - que impera. É mais fácil jogar fora um eletrodoméstico e comprar outro; é mais fácil encerrar uma relação e iniciar outra. Não existem limites. Tudo o que queremos, podemos. Realmente podemos?
E claro, continua.
Em seu livro A Rede e o Ser, Manuel Castells trata basicamente das "estruturas e os processos que caracterizam a sociedade em rede", como ele mesmo coloca. Pelo que pude observar em leituras ao Prólogo, I Capítulo - A Revolução da Tecnologia da Informação e a Conclusão, e como o prórpio autor coloca em citação logo acima do Prólogo, Castells conseguiu achar o "fio da meada" da sociedade que nos permeia. A sociedade em rede. A sociedade informacional, e não sociedade da informação. Informacional pois é a informação como transmissão de conhecimentos. Informação como matéria-prima a ser trabalhada, e não apenas como sociedade da informação, termo que enfatiza apenas o papel da informação na sociedade.
Vivemos na sociedade onde a individualização é deveras exacerbada, e o acesso a tecnologia é crucial para que possamos estar "conectados" a este admirável novo mundo. Porém, não há uma paridade no desenvolvimento das nações e muito menos no acesso a essas tecnologias. A forma que as pessoas excluídas encontraram para lutar contra esta realidade é a de reagrupamentos em torno de identidades primárias: religiosas, étnicas, territoriais, nacionais. O fundamentalismo religioso é um dos maiores agentes deste movimento. As pessoas procuram segurança, proteção com este comportamento. Duas das idéias centrais da tese de Castells são a de levar a tecnologia a sério, como ponto de partida deste estudo e que a busca pela identidade é tão poderosa quanto a transformação econômica e tecnológica que está acontecendo.
Devido a grande penetrabilidade que a evolução da tecnologia da informação exerce sobre todas as esferas da atividade humana é que devemos dá-la tanta atenção. Também a forma como este desenvolvimento é encarado pelos Estados políticos é essencial. Dois exemplos clareiam muito bem isto. O da invenção da Internet na década de 70 e o do desenvolvimento tecnológico chinês.
O advento da Internet houve quando o departamento de defesa dos EUA teve a idéia inicial de criar um sistema no qual não houvesse apenas uma célula principal; um sistema onde possa ter acesso ou até mesmo controle das informações de qualquer lugar de onde acessemos esses dados. Nascia a Internet. O que os jovens cabeludos e sonhadores estudantes fizeram com esta ivenção já é assunto para outro debate, pois através do acesso pels linhas telefônicas, eles revolucionaram o processo de transmissão de informções para nós, cidadãos comuns e para todo o mundo.
Quanto ao desenvolvimento tecnológico chinês, estima-se que pelo final do século XIV a China estava a ponto de se industrializar, fato que só ocorreu no final do século XVIII na Europa Ocidental. E porque assim não o fez? Como ainda acontece hoje, a cultura chinesa tende para uma relação harmoniosa entre homem e natureza, como pregam seus custumes. Uma rápida evolução tecnológica poderia ameaçar esta consonância. Ou seja, os chineses sempre se deram conta que a preservação da vida no planeta depende dessa relação, fato que muitos líderes ocidentais têm dificuldades para entender hoje. Além disso, as dinastias chinesas mantiveram-se fechadas - até quando suportaram - das influências externas do Ocidente. Neste período houve uma parada no desenvolvimento tecnológico chinês.
"O que deve ser guardado para entendimento desta relação é que o papel do Estado, seja interrompendeo, seja promovendo, seja liderando a inovação tecnológica, é um fator decisivo no processo geral, a medida que expressa e organiza as forças sociais dominantes em um espaço e tempo deteminados. A tecnologia espressa a habilidade de uma sociedade para impulsionar seu domínio tecnológico por intermédio de instituições sociai, inclusive o Estado. "Nesta passagem Castells resume esta relação. No final das contas o Estado será o responsável pelas políticas de incentivo ou barramemto a introdução das novas tecnologias de desenvolvimento numa determinada sociedade.
Modos de Produção e Desenvolvimento
Quanto aos modos de produção, podemos dizer que o Capitalista renasceu nos anos 80 pela absorção do conceito de sociedade em redes e aceitação dos novos paradigmas impostos pela tecnologia da Informção. E eis o porquê da ruína do estatismo: a incapacidade de assimliar estes novos conceitos. Muito também pelo constante espírito de reestrutuação - perestroyka - que não deixava romper com os que estava sendo feito. Podemos também resumir da seguinte forma: o capitalismo visa o aumento do excedente apropriado pelo capital com base no controle privado sobre os meios de produção. O estatismo "visava" o aumento da capacidade militiar e ideológica do aparato político para impôr seus objetivos a um número maior de sujeitos nos níveis mais profundos de seu consciente. O Capitalismo: maximização dos lucros. O Estatismo: maximização do poder. A relação de apropriação e uso do excedente é que também definira os modos de desenvolvimento de uma sociedade. No modo industrial a principal fonte de de produtividade reside na introdução de novas formas de energia e na capaciadade de descentralização do uso da energia ao longo dos processos produtivo e de circulação. Já no novo modelo informacional, o desenvolvimento se dá através da maipulação da informação e da capacidade de criação de conhecimento científico e o conseqüente uso deste para a evolução da sociedade. Também é destacável a capacidade de uso dos processops de comunicação e de comunicação de símbolos. Contudo, o especial do modelo informacional é a maneira como o desenvolvimento é a ação de conhecimentos sobre os próprios conhecimentos como principal fonte de produtividade, pensamento complexo puro diga-se de passagem.
Informacionalismo e reestruturação capitalista no final dos anos 80, ao som de Madonna.
O informacionalismo está diretamente ligado ao rejuvenescimento do capitalismo nos anos 80. Vendo-se estreito em seus velhos paradigmas nesta época - muito pressionados pela ameaça da inflação desenfreada após as crises do petróleo - os grandes empresários e governos impuseram, através da metodologia da tentativa e erro, uma reestruturação - perestroyka capitalista, astutamente colocado por Castells - do modelo capitalista, alicerçados em quatro grandes objetivos: aprofundar a lógica capitalista de busca de lucro nas relações capital/trabalho; aumentar a produtividade do trabalho e do capital; globalizar a produção, circulação e mercados - provocando uam verdadeira guerra pelo mais barato em todos os lugares possíveis - e estimular o protecionismo. E foi reforçado bastante nesta época a idolatria a Ídolos Pop e a globalização do sucesso dos mesmos. A cultura norte-americana violentou-nos simbolicamente de modo a firmar sua supremacia de poder pelo mundo. Dress for sucess.
Porém sempre ao analisarmos o momento atual devemos levar em consideração que o capitalismo e o informacionalismo já atingiram toas as sociedades importantes e que situemos essa atuação dentro de um contexto histórico/cultural.
Identidade
A grande questão da sociedade informacional parece caminhar neste sentido: como integrar a rede e o ser?
Estamos bastante perdidos em meio a tantas mudanças e nos agarramos a identidades culturais, pequenas coisas as quais nos identificamos como forma de fuga de tudo que parece nos tirar o chão, nos deixar inseguros. Como é tudo tão recente, sabemos apenas o que já vimos: o crescente apelo ao fundamentlismo religioso, o apego e identiicação dentro de um grupo pelo que consumimos, pequenas ou grandes bengalas, cães-guia - pontos de apoio.
Revoluções
A Revolução na qual estamos inseridos - e aí está uma oportunidade de melhorarmos muita coisa - é no mínimo tão importante quanto a Revolução Industrial. Castells diz mais ainda, fala que esta ocorrida na década de 70 é a primeira de muitas Revoluções Informacionais qua ainda virão. Interessantíssimo também observar que com a Revolução Industrial - objetivamente - visava-se diminuir os esforços físicos do homem facilitando a sua vida. Parece que isto abriu portas para que a Revolução Informacional chegue e transcenda as barreiras mais obscuras de nossas mentes, e por isso tão valorosos são os esforços da microbiologia, estudos da genética, microgenética em aumentar nossas capacidades e tornar-nos cada vez mais livres de nosso corpo.
Podemos falar também em revolução nos eltrônicos - como no caso da evolução espantosa dos computadores - mocroeletônicos, nanoeltrônicos: cada vez menores e com mais capacidade, porém este processo ainda está em franco crescimento, também não sendo absloutamente possível precisar o que ele poderá alcançar.
Novo Paradigma da tecnologia da Informação
Com base no exitoso processo do Vale do Silício - Califórnia - EUA, podemos falar em redes de contatos. Mesmo sendo o grande polo de desenvolvimento tecnológico da década de 70, os empreendedores do local não deixaram a arrogância da tentativa de dominação total de todos os mercados tomar conta e íam reciclando-se permanentemente através de estudos feitos nas universidades ou nos bares, boates, locais de encontro: redes sociais de trocas informais de informações. Através também de, nas décadas subseguintes, pequenos sucessos pessoais de ambiciosos e talentosos empreendedores que investiram tempo em pesquisa podemos falar que a grande matéria-prima desta sociedade é a informação, e crucial fator quem detém o poder de utilizar a mesma. A flexibilidade do constante processo renovação e a convergência - talvez não de todo imediata - das tecnologias provocando uam interdepndência entre elas, pois a evolução de uma está intimamente ligada aos sucessos da outra. De forma resumida, a caracterização do novo paradigma da TI: tecnologias para ação sobre a informação, penetrabilidade em todas as esferas das camadas sociais (pois a informação tende a atingir a todos), a lógica das redes (estruturação do não-estruturado, preservando a flexibilidade, sendo o não-estruturado a força motriz da inovação na atividade humana, e não mais a luta de classes), a flexibilidade (reestruturação constante) e a convergência tecnológica (provoando a interação e interdependência das tecnologias).
Sociedade Em Rede
Rede, para Castells, nada mais é que "um conjunto de nós interconectados". E como ele maravilhosamente exemplifica
A topologia definida por redes determina que a distância (ou intensidade e freqüência da interação) entre dois pontos (ou posições sociais) é menor (ou mais freqüente, ou mais intensa), se ambos os pontos forem nós de uma rede do que se não pertencerem a mesma rede. Por sua vez, dentro de determinada rede os fluxos não tem nenhuma distância, ou a mesma distância, entre os nós. Portanto a distância (física, social, econômica, política, cultural) para um determinadoponto ou posição varia entre zero (para qualquer nó da rede) e infinito(para qualquer ponto externo à rede). A inclusão/exclusção em redes e a arquitetura das relações entre redes possibilitadas por tecnologias da informação que operam a velocidade da luz, configuram os processos e funções predominates em nossas sociedades.
Na sociedade em rede o capital é eletrônico; e o que mais gera capital é o desenvolvimento dessas indústrias, uma complexidade geral. Há uma rede integrad de capital global cujos movimentos e lógica variável determinam as economias e influenciam as sociedades.
A sociedade em rede uma espécie de colapso total; a preservação da natureza é feita muito mais por marketing pessoal que por verdadeira preocupação; porém o aprofundamento no estudo das relações com a natureza nos faz entender sua tão inestimável importâmcia. A prática da política é amplamente difundida na mídia e a formação da imagem é a formação do poder. Agrada o mais "bonitinho". Cada detalhe da vida pessoal é mais importante que um debate sobre as idéias e prpostas. É a lógica da mídia eletrônica - a linguagem da propaganda, fragmentada, rápida, "indolor" - que impera. É mais fácil jogar fora um eletrodoméstico e comprar outro; é mais fácil encerrar uma relação e iniciar outra. Não existem limites. Tudo o que queremos, podemos. Realmente podemos?
E claro, continua.
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Discussão acadêmica - freqüente, porém obstante - sobre a Comunicação e as intervenientes realtivas a sua importância, dentro do cenário pós-moderno e da nova ordem mundial do capitalismo.