domingo, 30 de novembro de 2008

A rede e o Ser - Manuel Castells

Por Joel haas

Em seu livro A Rede e o Ser, Manuel Castells trata basicamente das "estruturas e os processos que caracterizam a sociedade em rede", como ele mesmo coloca. Pelo que pude observar em leituras ao Prólogo, I Capítulo - A Revolução da Tecnologia da Informação e a Conclusão, e como o prórpio autor coloca em citação logo acima do Prólogo, Castells conseguiu achar o "fio da meada" da sociedade que nos permeia. A sociedade em rede. A sociedade informacional, e não sociedade da informação. Informacional pois é a informação como transmissão de conhecimentos. Informação como matéria-prima a ser trabalhada, e não apenas como sociedade da informação, termo que enfatiza apenas o papel da informação na sociedade.

Vivemos na sociedade onde a individualização é deveras exacerbada, e o acesso a tecnologia é crucial para que possamos estar "conectados" a este admirável novo mundo. Porém, não há uma paridade no desenvolvimento das nações e muito menos no acesso a essas tecnologias. A forma que as pessoas excluídas encontraram para lutar contra esta realidade é a de reagrupamentos em torno de identidades primárias: religiosas, étnicas, territoriais, nacionais. O fundamentalismo religioso é um dos maiores agentes deste movimento. As pessoas procuram segurança, proteção com este comportamento. Duas das idéias centrais da tese de Castells são a de levar a tecnologia a sério, como ponto de partida deste estudo e que a busca pela identidade é tão poderosa quanto a transformação econômica e tecnológica que está acontecendo.

Devido a grande penetrabilidade que a evolução da tecnologia da informação exerce sobre todas as esferas da atividade humana é que devemos dá-la tanta atenção. Também a forma como este desenvolvimento é encarado pelos Estados políticos é essencial. Dois exemplos clareiam muito bem isto. O da invenção da Internet na década de 70 e o do desenvolvimento tecnológico chinês.

O advento da Internet houve quando o departamento de defesa dos EUA teve a idéia inicial de criar um sistema no qual não houvesse apenas uma célula principal; um sistema onde possa ter acesso ou até mesmo controle das informações de qualquer lugar de onde acessemos esses dados. Nascia a Internet. O que os jovens cabeludos e sonhadores estudantes fizeram com esta ivenção já é assunto para outro debate, pois através do acesso pels linhas telefônicas, eles revolucionaram o processo de transmissão de informções para nós, cidadãos comuns e para todo o mundo.

Quanto ao desenvolvimento tecnológico chinês, estima-se que pelo final do século XIV a China estava a ponto de se industrializar, fato que só ocorreu no final do século XVIII na Europa Ocidental. E porque assim não o fez? Como ainda acontece hoje, a cultura chinesa tende para uma relação harmoniosa entre homem e natureza, como pregam seus custumes. Uma rápida evolução tecnológica poderia ameaçar esta consonância. Ou seja, os chineses sempre se deram conta que a preservação da vida no planeta depende dessa relação, fato que muitos líderes ocidentais têm dificuldades para entender hoje. Além disso, as dinastias chinesas mantiveram-se fechadas - até quando suportaram - das influências externas do Ocidente. Neste período houve uma parada no desenvolvimento tecnológico chinês.

"O que deve ser guardado para entendimento desta relação é que o papel do Estado, seja interrompendeo, seja promovendo, seja liderando a inovação tecnológica, é um fator decisivo no processo geral, a medida que expressa e organiza as forças sociais dominantes em um espaço e tempo deteminados. A tecnologia espressa a habilidade de uma sociedade para impulsionar seu domínio tecnológico por intermédio de instituições sociai, inclusive o Estado. "Nesta passagem Castells resume esta relação. No final das contas o Estado será o responsável pelas políticas de incentivo ou barramemto a introdução das novas tecnologias de desenvolvimento numa determinada sociedade.



Modos de Produção e Desenvolvimento

Quanto aos modos de produção, podemos dizer que o Capitalista renasceu nos anos 80 pela absorção do conceito de sociedade em redes e aceitação dos novos paradigmas impostos pela tecnologia da Informção. E eis o porquê da ruína do estatismo: a incapacidade de assimliar estes novos conceitos. Muito também pelo constante espírito de reestrutuação - perestroyka - que não deixava romper com os que estava sendo feito. Podemos também resumir da seguinte forma: o capitalismo visa o aumento do excedente apropriado pelo capital com base no controle privado sobre os meios de produção. O estatismo "visava" o aumento da capacidade militiar e ideológica do aparato político para impôr seus objetivos a um número maior de sujeitos nos níveis mais profundos de seu consciente. O Capitalismo: maximização dos lucros. O Estatismo: maximização do poder. A relação de apropriação e uso do excedente é que também definira os modos de desenvolvimento de uma sociedade. No modo industrial a principal fonte de de produtividade reside na introdução de novas formas de energia e na capaciadade de descentralização do uso da energia ao longo dos processos produtivo e de circulação. Já no novo modelo informacional, o desenvolvimento se dá através da maipulação da informação e da capacidade de criação de conhecimento científico e o conseqüente uso deste para a evolução da sociedade. Também é destacável a capacidade de uso dos processops de comunicação e de comunicação de símbolos. Contudo, o especial do modelo informacional é a maneira como o desenvolvimento é a ação de conhecimentos sobre os próprios conhecimentos como principal fonte de produtividade, pensamento complexo puro diga-se de passagem.



Informacionalismo e reestruturação capitalista no final dos anos 80, ao som de Madonna.

O informacionalismo está diretamente ligado ao rejuvenescimento do capitalismo nos anos 80. Vendo-se estreito em seus velhos paradigmas nesta época - muito pressionados pela ameaça da inflação desenfreada após as crises do petróleo - os grandes empresários e governos impuseram, através da metodologia da tentativa e erro, uma reestruturação - perestroyka capitalista, astutamente colocado por Castells - do modelo capitalista, alicerçados em quatro grandes objetivos: aprofundar a lógica capitalista de busca de lucro nas relações capital/trabalho; aumentar a produtividade do trabalho e do capital; globalizar a produção, circulação e mercados - provocando uam verdadeira guerra pelo mais barato em todos os lugares possíveis - e estimular o protecionismo. E foi reforçado bastante nesta época a idolatria a Ídolos Pop e a globalização do sucesso dos mesmos. A cultura norte-americana violentou-nos simbolicamente de modo a firmar sua supremacia de poder pelo mundo. Dress for sucess.

Porém sempre ao analisarmos o momento atual devemos levar em consideração que o capitalismo e o informacionalismo já atingiram toas as sociedades importantes e que situemos essa atuação dentro de um contexto histórico/cultural.



Identidade

A grande questão da sociedade informacional parece caminhar neste sentido: como integrar a rede e o ser?
Estamos bastante perdidos em meio a tantas mudanças e nos agarramos a identidades culturais, pequenas coisas as quais nos identificamos como forma de fuga de tudo que parece nos tirar o chão, nos deixar inseguros. Como é tudo tão recente, sabemos apenas o que já vimos: o crescente apelo ao fundamentlismo religioso, o apego e identiicação dentro de um grupo pelo que consumimos, pequenas ou grandes bengalas, cães-guia - pontos de apoio.


Revoluções

A Revolução na qual estamos inseridos - e aí está uma oportunidade de melhorarmos muita coisa - é no mínimo tão importante quanto a Revolução Industrial. Castells diz mais ainda, fala que esta ocorrida na década de 70 é a primeira de muitas Revoluções Informacionais qua ainda virão. Interessantíssimo também observar que com a Revolução Industrial - objetivamente - visava-se diminuir os esforços físicos do homem facilitando a sua vida. Parece que isto abriu portas para que a Revolução Informacional chegue e transcenda as barreiras mais obscuras de nossas mentes, e por isso tão valorosos são os esforços da microbiologia, estudos da genética, microgenética em aumentar nossas capacidades e tornar-nos cada vez mais livres de nosso corpo.

Podemos falar também em revolução nos eltrônicos - como no caso da evolução espantosa dos computadores - mocroeletônicos, nanoeltrônicos: cada vez menores e com mais capacidade, porém este processo ainda está em franco crescimento, também não sendo absloutamente possível precisar o que ele poderá alcançar.



Novo Paradigma da tecnologia da Informação

Com base no exitoso processo do Vale do Silício - Califórnia - EUA, podemos falar em redes de contatos. Mesmo sendo o grande polo de desenvolvimento tecnológico da década de 70, os empreendedores do local não deixaram a arrogância da tentativa de dominação total de todos os mercados tomar conta e íam reciclando-se permanentemente através de estudos feitos nas universidades ou nos bares, boates, locais de encontro: redes sociais de trocas informais de informações. Através também de, nas décadas subseguintes, pequenos sucessos pessoais de ambiciosos e talentosos empreendedores que investiram tempo em pesquisa podemos falar que a grande matéria-prima desta sociedade é a informação, e crucial fator quem detém o poder de utilizar a mesma. A flexibilidade do constante processo renovação e a convergência - talvez não de todo imediata - das tecnologias provocando uam interdepndência entre elas, pois a evolução de uma está intimamente ligada aos sucessos da outra. De forma resumida, a caracterização do novo paradigma da TI: tecnologias para ação sobre a informação, penetrabilidade em todas as esferas das camadas sociais (pois a informação tende a atingir a todos), a lógica das redes (estruturação do não-estruturado, preservando a flexibilidade, sendo o não-estruturado a força motriz da inovação na atividade humana, e não mais a luta de classes), a flexibilidade (reestruturação constante) e a convergência tecnológica (provoando a interação e interdependência das tecnologias).



Sociedade Em Rede

Rede, para Castells, nada mais é que "um conjunto de nós interconectados". E como ele maravilhosamente exemplifica

A topologia definida por redes determina que a distância (ou intensidade e freqüência da interação) entre dois pontos (ou posições sociais) é menor (ou mais freqüente, ou mais intensa), se ambos os pontos forem nós de uma rede do que se não pertencerem a mesma rede. Por sua vez, dentro de determinada rede os fluxos não tem nenhuma distância, ou a mesma distância, entre os nós. Portanto a distância (física, social, econômica, política, cultural) para um determinadoponto ou posição varia entre zero (para qualquer nó da rede) e infinito(para qualquer ponto externo à rede). A inclusão/exclusção em redes e a arquitetura das relações entre redes possibilitadas por tecnologias da informação que operam a velocidade da luz, configuram os processos e funções predominates em nossas sociedades.


Na sociedade em rede o capital é eletrônico; e o que mais gera capital é o desenvolvimento dessas indústrias, uma complexidade geral. Há uma rede integrad de capital global cujos movimentos e lógica variável determinam as economias e influenciam as sociedades.

A sociedade em rede uma espécie de colapso total; a preservação da natureza é feita muito mais por marketing pessoal que por verdadeira preocupação; porém o aprofundamento no estudo das relações com a natureza nos faz entender sua tão inestimável importâmcia. A prática da política é amplamente difundida na mídia e a formação da imagem é a formação do poder. Agrada o mais "bonitinho". Cada detalhe da vida pessoal é mais importante que um debate sobre as idéias e prpostas. É a lógica da mídia eletrônica - a linguagem da propaganda, fragmentada, rápida, "indolor" - que impera. É mais fácil jogar fora um eletrodoméstico e comprar outro; é mais fácil encerrar uma relação e iniciar outra. Não existem limites. Tudo o que queremos, podemos. Realmente podemos?

E claro, continua.

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